Como não fazer comunicação de crise

Escrito em Julho 9, 2012 - Na categoria Jornalismo de investigação | 3 Comentarios

APESAR DOS esfoços dos jornalistas em tentar esclarecer o processo da licenciatura de Miguel Relvas, há cada vez mais pontas soltas numa história muito mal contada. Tal como escrevi na sexta-feira, o facto de as pessoas e as instituições não quererem esclarecer tudo de uma só vez continuará a alimentar este folhetim nas próximas semanas. Com gravíssimos danos colaterais, como se está a ver.

Hoje, a Universidade Lusófona cometeu mais um erro monumental ao permitir apenas cerca de meia hora aos jornalistas para consultar todo o processo (com promessa de que poderiam voltar, se necessário). Resultado: mais notícias incompletas, mais dúvidas levantadas, mais merda no ventilador.

Da minha parte, às 10 perguntas que fiz na semana passada (e que estão longe de estar respondidas, diga-se de passagem) junto mais cinco – de muitas outras que poderia fazer – suscitadas pelas notícias desta tarde.

1 – O parecer sobre o currículo de Miguel Relvas, e que estava assinado apenas por dois professores, foi presente ao Conselho Científico? (respondida a 11 de Julho)

2 – O parecer sobre o currículo de Miguel Relvas tem apenas três ou quatro linhas, ou foi apenas isso que os jornalistas conseguiram copiar no pouco tempo de que dispunham? (respondida a 10 de Julho)

3 – Entre 6 e 26 de Outubro de 2006 foram efectuadas diligências junto dos professores da licenciatura, por parte do reitor e presidente do Conselho Científico, Fernando Santos Neves, para escolher as 32 cadeiras a que seriam dadas equivalências? (talvez respondida a 11 de Julho)

4 – O reitor levou a sua proposta de equivalências ao Conselho Científico ou apenas decidiu que seria assim? (respondida a 11 de Julho)

5- A que correspondem exactamente os 1777,52 euros que Miguel Relvas pagou à Lusófona? (Frequência de cadeiras? Propinas? Exames? Certificados?)

P.S. – Para os interessados em comunicação de crise e num dos mais mediáticos erros de comunicação da história recente, recomendo este artigo científico que já tem mais de 20 anos: Small, W.J. (1991) Exxon Valdez: How to spend billions and still get a black eye, Public Relations Review 17:1, p. 9–25.

Comentários

3 Respostas a “Como não fazer comunicação de crise”

  1. O tempo e o modo do acesso ao processo académico de Relvas | O dia inicial inteiro e limpo sobre Julho 10th, 2012 1:05 am

    [...] no acesso ao processo académico de Miguel Relvas na ULHT não são bom presságio. Ler mais aqui e aqui. Como diz Estrela Serrano: “Os muitos professores que fizeram aí percursos [...]

  2. Pedro Rebelo sobre Julho 10th, 2012 1:14 pm

    Para não variar, certeiro e pertinente.
    Bom trabalho.

  3. Como não fazer comunicação de crise (take II) : Ponto Media sobre Julho 12th, 2012 11:22 am

    [...] NÃO disse que a comunicação de crise da Lusófona estava a derrapar por todos os lados? Primeiro, foi a [...]

Deixe uma resposta