Global Investigative Journalism Conference (2)
Escrito em Setembro 30, 2005 - Na categoria Jornalismo de investigação | 5 Comentarios
HOJE, ao princípio da manhã, participei no painel sobre os rankings das escolas secundárias. A discussão que seguiu foi extremamente útil para perceber em que estado está a democracia no resto da Europa. Basicamente, eu e a Hanna (finlandesa, da MTV3) estivemos a falar para uma audiência onde os rankings são prática comum há muitos mais anos do que em Portugal (ou na Finlândia). Fiquei a saber que na Estónia e na Nigéria (por exemplo) a publicação de rankings já se faz há muito. Fiquei também a saber que, depois de anos a fazer pesar no ranking o background social dos alunos, a Holanda abandonou essa prática que considera discriminatória. O raciocínio é simples: o objectivo da escola é melhorar a educação, nivelá-la em todo o país. Se há diferenças entre escolas, isso deve-se à fraca qualidade dos professores e não ao nível dos alunos, que deviam ser ensinados para atingir um nível maior do que o que, eventualmente, apresentam. Aliás, disse um dos holandeses na sala, o facto de algumas escolas de backgrounds abaixo da média do país estarem nos primeiros lugares dos rankings de disciplinas específicas, prova que o background social não é tão importante como isso. Eu sei que as coisas não são tão simples assim, mas registei o argumento.
No final da manhã, assisti a um painel sobre a utilização de software de redes sociais (social network analysis) para trabalhos de jornalismo de investigação e fiquei muito impressionado com o que vi. O primeiro caso apresentado foi sobre a análise dos arquivos da Stasi à procura de espiões finlandeses e das suas relações (campo virgem em Portugal, by the way…) e o segundo sobre as redes sociais dos presidentes de câmara na Dinamarca, à procura de quem são os mais influentes e porquê. Este é um campo sobre o qual vou ler mais de certeza nos próximos tempos…
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5 Respostas a “Global Investigative Journalism Conference (2)”
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Realmente, a questão do background social é mais pertinente em países com grandes assimetrias sociais do que em países com menores.
Quando sabemos que Portugal é o país da UE 25 onde a assimetria entre os 20% que mais ganham e os 20% que menos ganham é a maior (os mais bem pagos ganham cerca de 6,5 vezes mais do que os mais mal pagos; contra uma média de 4,4 na UE e 3,8 na Holanda), percebemos que a geração de desigualdades vai ser muito mais forte em Portugal do que na Holanda – e não estamos ainda em condições de poder pensar que os nossos pobres até têm o mínimo (como têm os pobres holandeses).
Sobre as redes sociais na política, o Paulo Gorjão, no Bloguítica (http://bloguitica.blogspot.com/2005/09/desafio-aos-leitores-revisto-1096-jos.html), lançou um projecto semelhante: “uma lista das estruturas partidárias nacionais e regionais dos grandes partidos do poder – Distritais do PSD e Federações do PS – com identificação dos cargos de nomeação partidária dos seus membros, agora e no passado”.
O anúncio foi (re)formulado a 10 de Setembro mas ainda não há resultados.
E se eu disser que conheço uma escola bem colocada no ranking nacional mas onde, infelizmente, “desaparece” um telemóvel da sala dos profs, “desaparece” uma pasta com documentos de um director de turma, “desaparecem” pastas com material diverso? O que é que o ranking tem a ver com situações como estas?
[...] e não sendo ainda defensor de um jornalismo que apenas os publique, aceito muitos dos argumentos apresentados, a propósito de uma realidade que não a do ensino superior, pelo António Granado. Assim sendo, [...]
[...] e não sendo ainda defensor de um jornalismo que apenas os publique, aceito muitos dos argumentos apresentados, a propósito de uma realidade que não a do ensino superior, pelo António [...]