Fontes não identificadas
Escrito em Fevereiro 17, 2006 - Na categoria Agências noticiosas, Deontologia | 7 Comentarios
ESCREVI aqui a propósito daquela inacreditável notícia da Lusa onde uma fonte não identificada desmentia a própria agência. Fiquei agora a saber, pelo parecer do Conselho Deontológico do Sindicato a propósito do caso da banda larga nas escolas, que “escrever ‘fonte do Ministério da Ciência’ não é citar uma fonte não identificada”.
Estou absolutamente esmagado e lamento a minha profunda ignorância.
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7 Respostas a “Fontes não identificadas”
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Ficámos todos a saber muitas coisas pelo parecer do Conselho Deontológico do Sindicato sobre esse assunto, caro António Granado. Ficámos a saber, também – aliás, confirmámos – que o CD é um órgão que protege amigos e camaradas, que embarca em cabalas pelo poder. E embala porque quer. É preciso não esquecer que o papa da Deontologia do sindicato, Óscar Mascarenhas, trabalha ou trabalhava até há pouco tempo, como consultor na Lusa, com gabinete e ordenado chorudo. Portanto, Óscares Mascarenhas, sabe bem o que se passa na Lusa e poderia ter informado o CD.
ficámos a saber como é o nosso sindicato… é por estas e por outras que já decidi: é desta que me desindicalizo!
Na Agência Lusa vários jornalistas já enviaram pedidos de desvinculação do sindicato e solicitaram ao serviço de pessoal que suspendesse o pagamento das quotas.
É por estas coisas que não estou sindicalizado há dois anos.
O sindicato só defende os “amigos” de Lisboa e pouco mais. Quando estava a recibo verde, todas as minhas tentativas para resolver o problema via sindical eram respondidas com lacónicos “processe a empresa” ou “faça uma denúncia pública”. eu que me desenrascasse.
Cada vez defendo mais a lógica de uma ordem de jornalistas e quanto mais falo com camaradas de profissão mais penso que essa solução (vinculando toda, sublinho toda, as direcções das empresas jornalísticas) teria pernas para andar.
Todos com quem falo defendem uma ordem, nomeadamente os de fora de Lisboa, onde o sindicato não existe. Para cúmulo, nos órgãos sociais do SJ permanecem ainda uma série de nomes que já não são jornalistas (dedicam-se ao ensino, por exemplo) mas que continuam em lugares de decisão como numa diatribe de amigos. Quase todos são pessoas estimáveis e respeitáveis mas já não são jornalistas.
No entanto, admito mesmo a solução defendida por Carlos Chaparro, que propõe uma ordem de comunicação que vincule toda a gente, desde directores, jornalistas, publicitários e assessores.
Depois, é escandalosa a posição do PCP sobre a polémica na Lusa, manipulado por “elementos” que defendem o poder como está.
Mais duas coisas:
O presidente do Conselho Deontológico é o primeiro a desrespeitar a deontologia quando faz notícias de religião para a TSF. O contraditório ou mesmo os factos são coisas que o jornalista parece não conhecer muito bem.
Qualquer dia viro assessor e deixo de me chatear com esta profissão que venerei no passado.
Diário da “mulher-alibi”
Pacheco Pereira, um dos rastejantes da nossa cena política, pilar do sistema, e exemplo de como se pode subir rápido
(da Gare Maoísta à Gare Neo-Liberal-Conservadora, em bilhete de primeira, se faz favor),
resolveu ganhar dinheiro a publicar os textos do “Abrupto”, uma espécie de sótão poeirento e desactualizado do imaginário de uma tia velha desactivada, e com barbas, ainda por cima.
Esse é o papel da “Mulher-Alibi”, figura da Sociologia, indispensável para o funcionamento do Sistema: ela espumeja, ela finge que se indigna, ela ataca, ela recua, ela geme e freme, ela varia de alvos, mas, no fim, alinha sempre pela mão de quem lhe paga, e que realmente sempre serviu. É no seu discurso e na sua atmosférica variação fisionómica, que se faz o grosso da catarse do tecido social, “que bem que falou”, “gosto muito de ouvi-lo”, “sabe sempre dizer quando as coisas estão bem, e quando estão mal”…
Uma das características da mulher-alibi é a ubiquidade: ela tem o dom de estar sempre em todo o lado e em todo o instante em que se possa levantar alguma fervura.
Obviamente, Pacheco Perereira não é a Marcela-quer-morcela, a Mãe das Mães-Alibi, ou a “Desesperada”, por antonomásia, com dons de mentira e retórica maquiavelicamente sofisticados. Berços diferentes: uma, filha do Ministro da Propaganda do Antigo Regime, a outra… não. Mas, no fim, o teclado termina sempre na mesma cadência, embora, pelos entremeios, se tenham esvaziado todas as tensões do Público, que, realmente, poderiam conduzir a qualquer mudança.
Elas são as gestoras do Pântano, e o Pântano continua a pagar-lhes regiamente pelo seu papel.
http://braganza-mothers.blogspot.com
A minha saída do sindicato (e, também, como filho de um sindicalista foi muito difícil tomar essa opção) deu-se um par de anos depois de começar a trabalhar quando, numa reunião com alguém do sindicato (alguém com cargo de muita responsabilidade), ouço que o salário que auferia então “dava para as cervejas” e outras coisas que prefiro nem lembrar. Desisti mas a empresa continuou a fazer o desconto e entretanto senti que tinha a obrigação de discordar do sindicato dentro do sindicato. O problema é que estou há cinco anos esperando por um plano de pagamentos – estivesse eu nas TVs ou no grupo Oliveira e teria a coisa resolvida decerto.
O sindicato, acredito hoje como nunca, não se pode misturar entre deontologia e defesa laboral. Não deve mesmo, porque tal acontece em prejuízo desta. Dou apenas um exemplo, se o presidente do sindicato escrevesse páginas especiais (publicitárias) ou favorecesse de algum modo a empresa onde trabalha ou alguém da cúpula do sindicato o fizesse haveria uma tomada de posição do CD? Com todo o respeito pelos camaradas que lá estão, não, não havia.
No caso especificamente do post, subscrevo a admiração do AG e as incisões do jpmenezes no blogouve-se e penso que aquele comunicado e aqueles “take” deveriam ser guardados.
Há toda a razão na crítica ao CD nesta questão.
Mas o CD é independente do SJ. A Direcção do SJ tomou uma posição clara sobre esta questão (antes do CD) e ela era favorável às jornalistas da Lusa. A quem a não tenha visto, recomendo que consulte o site do SJ.
A questão aqui é que o CD não deveria ter nada a ver com o SJ, nem sequer como órgão independente que actualmente é.
O CD deve estar absolutamente fora do SJ, de forma a que não haja qualquer confusão entre as duas entidades.
Quanto às críticas ao SJ, são legítimas e em certos aspectos, justificadas. Mas pergunto-me sempre porque é que na altura das eleições apenas surge uma lista, nunca há concorrência.
Porque é que os que tanto criticam não constituem uma lista e concorrem à Direcção do SJ?
Porque é que em vez de se desvincularem do SJ, não ficam e lutam por um SJ melhor?
E já agora, saem do SJ e inscrevem-se onde? Constituem outro? Ou ficam sozinhos a resmungar contra tudo e todos?
Desistir não é opção. A opção é ficar e lutar por um SJ cada vez mais forte e sintonizado com a classe!