A vergonha da manchete do Expresso de hoje
Escrito em Dezembro 30, 2005 - Na categoria Jornais | 17 Comentarios
PARA OS QUE ainda não leram, o Expresso diz na sua manchete que haverá cerca de um milhão de homossexuais em Portugal. Fui ler a ficha técnica da sondagem, que sustenta a manchete, e garanto que o Inimigo Público de hoje não lhe chega aos calcanhares (a citação é fiel ao que está escrito, não tenham dúvidas, e isso é que tem graça…):
“Foram efectuadas 1980 tentativas de entrevistas. Dos contactados 1254 (63,3 por cento) recusaram colaborar no estudo. A amostra atingida, de 726 entrevistas validadas (…) tem 44,9 por cento [de respondentes] dos 15 aos 30; 36,8 por cento dos 31 aos 49 anos; e 18,3 por cento com 50 anos ou mais, distribuição que obviamente não tem correspondência com a população residente em Portugal Continental. (…) O erro máximo da amostra é de 3,64 por cento.”
Já agora, o que esta excelente e balanceada amostra deu foi: 90,1 por cento dos inquiridos revelaram-se heterossexuais, 7 por cento homossexuais, e 2,9 por cento bissexuais. 7+2,9=10 É daqui que vem a manchete, perceberam?
É preciso dizer mais alguma coisa?
Comentários
17 Respostas a “A vergonha da manchete do Expresso de hoje”
Deixe uma resposta


[...] [...]
Esta Manchete,bem como o conteúdo da notícia é mais uma prova da tremenda falta de conhecimentos estatisticos e de humildade de muitos dos Jornalistas que temos! Grandes ignorantes presumidos! Não falem do que não sabem….por favor!
G.A.
Estive na apresentação do nº. 0 (zero)do EXPRESSO, num final de tarde, no Hotel RITZ. Ao longo destes anos construi-se um jornal de referência e, quase, consulta obrigatória. O povo, na sua sabia sabedoria, costuma dizer:
- Construir demora muito tempo. A queda é rápida.
Será que o EXPRESSO entrou no plano inclinado?
O grave é que parece que ninguém vê!!!!
Assim vai a informação neste País !!!!
Aproveito para desejar ao Ponto Media a continuação de um excelente trabalho em 2006:)
E, além dos dados bem reveladores da ficha técnica da sondagem, há mais uma enormidade aritmética: se 9,9 por cento dos portugueses são, de facto, cerca de um milhão de portugueses, já não me parece que 9,9 por cento dos portugueses COM MAIS DE 15 ANOS (que é o universo dos inquiridos) sejam também um milhão!… Aqui nem é preciso saber de estatística, é só de contas rasteirinhas. Mas o “MILHÃO” é que dava título, não era?…
P.S. Parabéns, António, pelo Ponto Media. E obrigado, claro!
Caro Antonio: Viva. Sou estudante e católico. Essa mesma ignorancia, da maior parte dos jornalistas, manifesta-se noutros campos como o religioso (num jornal de há 2 semanas fez-me imensa impressao a tremenda ignorância acerca do Judaísmo dum jornalista quando falava da Hanukah como Kanukah…), o mesmo se passou na exploração da noticia dos escuteiros “perdidos na serra da estrela… e em tantas outras situações. Existe uma profunda diferença entre levar as coisas na verdade e com senido ou levá-las na ligeireza e com duplos sentidos. Abraço. bernardo
Há muito tempo atráz ouvi num telejornal: o governo aumentou o tabaco em 20%… como cada maço tem 20 cigarros, cada um teve um aumento de 1% !
O erro era apenas de cálculo.
Nesta caso do milhão de homosexuais, o erro será só de cálculo?
Não seria bom dar aulas de matemática aos jornalistas? e de ética?
Parabéns,
Vasco Varela
Hum, 2.9 com um erro de 3.64? Eu tinha vergonha de mostrar esses resultados. Quem estudou o mínimo de estatística sabe que quando o erro é maior que o resultado este não significa absolutamente nada! É o mesmo que dizer que medi o meu quarto para ver se cabe um roupeiro e chego à loja com a medida de 4m e um erro de 10m…
Agradeço penhoradamente a sua atenção à noticia inacreditável a que faz referência! No meu Blog Por Causa Dele (http://porcausadele.blogspot.com/) fiz uma referência a este post e pus um link para aqui.
Melhores cumprimentos
Antonio Pinheiro Torres
É de realçar que no artigo do Expresso também se diz que 25% das mulheres portuguesas já fizeram, pelo menos um aborto. Claro que o dado tem a mesma fiabilidade que o anterior. Que se pretende com este artigo? Qual é o objectivo procurado?
Com o devido respeito pelo exêntrico arquitecto e pela memória do senhor pai dele talvez esta menachete seja o crepúsculo da saraivada: o momento crítico.
A desinformação da manchete do “Expresso” não é gratuita nem inocente. É parte de uma campanha do “loby gay” que se instalou em Portugual.
Lamento informar que quer o autor do texto, quer os comentadores apenas revelam total falta de conhecimentos na interpretação dos resultados deste tipo de estudos. Se a amostra é pequena (o conceito de tamanho tem igualmente muito que se lhe diga)e a recusa de resposta é elevada, isto apenas sugere que o número de sujeitos que já tiveram relações homossexuaios é MUITO MAIS ELEVADO. Mas as mentes fechadas apenas vêem o que querem ver. Lamentavelmente é assim. Infelizmente neste país, que por sinal dá sinais alarmantes de sub desenvolvimento cada vez mais alto a cada ano que passa as pessoas com as ideias que aqui vejo abundam como cogumelos. Já se questioinaram porque é que nos encontramos na situação politíca e social em que nos encontramos. Abram os olhos e olhem para o resto da Europa meus caros senhores.
Comentario ao comentador nº. 13: – O “desenvolvimento” (qual?) está então associado à expansão da homosexualidade numa sociedade? Se afinal existem (de acordo com as suas contas)tantos homosexuais em Portugal, porque razãp continuamos tão subdesenvolvidos? Estas sondagens fazem-me lembrar as que, há uns anos atrás, davam vitórias esmagadoras à regionalização e à liberalização do aborto. Depois foi o que se viu.
Caro António (comentador nº 13): concordo inteiramente com as suas sábias palavras! Só não vê quem não quer ou como se costuma dizer: pior cego é o que não quer ver! Compreende-se facilmente que tantos comentários tentem negar o que é bem visível. E depois escudam-se com falta de conhecimentos estatísticos dos jornalistas. O que me parece ser é que os outros comentaristas, bem como o texto inicial, tentam colocar a estatística do lado que lhes interessa…Enfim, palavras para quê!
Pela minha experiência, devem ser bastante mais de um milhão…
Como queriam que os jornalistas soubessem matemática? A maior parte foi para jornalismo para fugir ao papão da matemática! E depois admiram-se que as notícias em todos os meios de comunicação ajudem a criar a fobia à matematica nas crianças! Enfim…