Moderar ou não moderar?

Escrito em Agosto 27, 2008 - Na categoria Ciberjornalismo | 28 Comentarios

O QUE fazer com os comentários dos leitores? Uma questão muito séria que exige um debate constante e afinações a toda a hora. No Público já tivemos moderação a anteriori e optámos agora por moderação a posteriori. Sempre sem necessidade de registo prévio. Alguém tem opiniões sobre qual o melhor caminho a seguir?

Comentários

28 Respostas a “Moderar ou não moderar?”

  1. Marisa Torres da Silva sobre Agosto 27th, 2008 12:39 pm

    Creio que a última opção tomada pelo Público será a mais adequada. Sendo o espaço dos comentários às notícias por inerência mais aberto que outros fóruns, como por exemplo as cartas dos leitores na imprensa (edição em papel), a moderação e a denúncia de comentários eventualmente ofensivos ou problemáticos deverá ser deixada nas mãos dos próprios leitores. A moderação dos editores basear-se-á, assim, nas chamadas de atenção dos utilizadores.
    Em relação à necessidade de registo prévio, tenho dúvidas sobre a melhor opção… O registo prévio retira um pouco o “automatismo” que seria de esperar (um trabalho prévio e adicional que pode eventualmente desmotivar a postagem), mas, por outro lado, significaria uma responsabilização acrescida para os leitores sobre aquilo que escrevem.
    Mais opiniões?

  2. Paulo Frias sobre Agosto 27th, 2008 1:40 pm

    A moderação é um ‘bico de obra’…
    Acho a questão do registo prévio pacífica, ou seja, não faz sentido de todo e desencoraja os comentários.
    A moderação ‘a posteriori’ parece ser a mais razoável e produtiva.

  3. Miguel Albano sobre Agosto 27th, 2008 3:49 pm

    Viva António,

    publiquei recentemente um artigo sobre esta mesma matéria, disponível em http://notaboutyou.lift.com.pt/2008/08/comentarios-nos-media-tradicionais-online/

    Sou apologista da moderação, pela qualidade que poderá acrescentar ao conteúdo original.

    Por outro lado, poderá funcionar um sistema híbrido. Uma secção de comentário puro onde os utilizadores podem classificar os comentários e filtrá-los por nível. E uma outra secção onde podem ser promovidos os melhores comentários, de forma moderada pelos jornalistas/editores.

    Cumprimentos,
    Miguel Albano

  4. Bruno Miguel sobre Agosto 27th, 2008 7:06 pm

    Uma estratégia tipo Boing Boing ou Bitaites talvez fosse melhor: não se moderam os comentários dos utilizadores registados, só os de quem não está registado.

  5. c, sobre Agosto 27th, 2008 8:22 pm

    às vezes os comentários são tão bons como o post, se positivos e elegantes.

  6. António sobre Agosto 27th, 2008 8:31 pm

    António,

    o problema que encontro nos comentários dos jornais é a ilusão do anonimato: as pessoas acreditam que ninguém lhes vai pedir messas mesmo que escrevam a maior barbaridade. Seth Godin escreveu-o de uma forma muito mais directa:

    On a closed, non-anonymous site I get to use, I’m noticing that the quality of comments continues to increase. I don’t think people are dumb. I think ease of use combined with anonymity and vanity just makes them seem that way.

    http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2008/08/monkeys-with-me.html

    IMHO um sistema híbrido entre aquilo que eu uso (modero o primeiro comentário) e outros bloggers fazem (exigem o registo) seria a melhor opção para fazer crescer a comunidade de leitores do site e manter a qualidade dos mesmos.

    Gostaria de ver no público um formulário que me permitisse a mim – visitante novo no site, comentar imediatamente ao mesmo tempo que me exija que preencha o campo de nick, email, nome próprio e apelido (os três últimos campos privados) sendo o email para verificação (como se faz em blog.karlus.net) . Um campo de senha poderia ser preenchido pelo visitante, criando desta forma o visitante uma conta imediatamente.

    Ao criar a conta o visitante teria acesso imediato a uma página “sua”, onde poderia listar informação sobre si, carregar uma avatar/foto, listar o seu sitio na web, e os seus comentários em artigos do público. É o que acontece por exemplo neste sitio (seomoz.org/blog) e isso reflecte-se na qualidade dos comentários.

    Uma outra abordagem, mais descentralizada mas que poderá ser útil como referência é a da disqus. Veja-se por exemplo os comentários neste blog (avc.com).

  7. Carlos Andrade sobre Agosto 27th, 2008 10:35 pm

    A minha humilde opinião.

    Comentários anónimos nunca. Basta ver no que as caixas de comentários do Público e do Noticias SAPO se tornaram. Sim, dão mais comentários, mais guerra e… mais page views. :-) Mas no fim, metade (senão mais) dos comentários são comentários a criticar o nível dos mesmos e outros a insultar outro tantos.
    Daí que… querem comentar, registem-se. Verifique-se o endereço de email e pronto. Isto impede comentários a quente e fica sempre a sensação do “ui, eles sabem quem eu sou, ainda me guardam o IP”.

    Moderação ? Sim… à posteriori. Como o Público a tinha era uma tarefa descomunal e tornava o processo lento e levantava a dúvida se o comentário teria ou não entrado.
    Obviamente mesmo com registos vão haver disparates, mas aí um botão (como existe actualmente) para “reportar o comentário” resulta vem e o olhar para uma página com os mais reportados facilita o trabalho.

    Anyway , é isto que o Destakes vai ter em breve. ;-)

  8. Mr. Steed sobre Agosto 27th, 2008 10:39 pm

    Não existe uma solução mágica e uma coisa é moderar uns quantos comentários num blogue e outra é controlar as centenas de intervenções diárias no site de um jornal como o Público ou o Expresso. Se calhar é um full-time job para uma pessoa.

    No entanto, a minha opinião é clara: a qualidade dos comentários nos sites dos media tradicionais é muito baixa. Escreve-se mal e há uma falta de ideias tão grande que até dói.

    Se acharem interessante aqui fica um texto lá da minha chafarica acerca deste assunto.

    http://mrsteed2.blogspot.com/2008/08/os-comentrios-e-moderao.html

    Abraço,
    Steed

  9. António Granado sobre Agosto 27th, 2008 10:58 pm

    Agradeço as sugestões e, por favor, continuem a dá-las porque isso nos pode ajudar muito.
    Apenas um número para pôr as coisas em perspectiva: o site do Público teve, durante o mês de Junho, mais de 40 mil comentários.

  10. Carlos José Teixeira sobre Agosto 28th, 2008 8:41 am

    Eu estou com o António Dias: a ideia da página pessoal é excelente, a trazer gente para o “clube”. Logicamente, esta opção não retirará a possibilidade de comentar anonimamente ou com alias. No entanto, sugerirá facilidade no acto e potenciará uma melhoria de qualidade nos comentários.
    Por outro lado, não concordo com o Carlos Andrade quanto à limitação de comentários anónimos. A Internet rege-se por regras diferentes e, bem visto, existem comentários anónimos de qualidade excelente e que são anónimos pelo simples facto de, de uma forma ou de outra, poderem colocar em risco a integridade pessoal, em termos físicos, psicológicos ou de reputação. Aliás, cabe ao Jornal a protecção das fontes e, no caso, os comentários surgem muitas vezes como contributo para a notícia.

    Ora bem. A pensar nisto, surge-me uma ideia mais estapafúrdia ainda: porque não dar a possibilidade de anonimato aos registados (ver opção do António Dias)? Isto é, ter um quadradinho que diga «publicar anonimamente?» e, clicando sim, que apareça uma mensagem que esclareça «ao publicar anonimamente, este comentário não surgirá na sua página pessoal.» Sim, porque a página pessoal teria a colecção de comentários da pessoa, não só oferecendo aos leitores o “acervo” do comentador, como responsabilizando-o a ele próprio por uma página intimamente ligada à sua reputação no seio do que seria, aí sim, uma comunidade.
    Enfim, paro por aqui…

    Deixo nota ao artigo do Miguel Albano, em http://notaboutyou.lift.com.pt/2008/08/comentarios-nos-media-tradicionais-online/, que reza, a páginas tantas:

    «Moderação – seja através de filtros sociais ou através da tradicional moderação humana, o facto é que esta tem de existir. E na minha opinião, ela tem de ser pré-publicação. A qualidade dos comentários deve estar ao nível da qualidade dos artigos que os comentários acompanham. Enquanto leitor e utilizador, sempre que abro um artigo num site (e respectivos comentários), pretendo qualidade. Mas quando chegamos aos comentários, raramente isto acontece.

    Políticas – transparência, transparência, transparência. Definir as regras antes de o jogo começar. A existência de uma política de para a utilização da funcionalidade de comentar ajuda a estabelecer os parâmetros em que o comentador pode actuar e ajuda a nivelar as expectativas dos leitores.

    Jornalistas – E eis a questão mais pertinente. Devem os autores dos artigos utilizador a funcionalidade do comentário para interagir com os seus leitores. Eu defendo o sim, embora aqui entremos numa discussão muito interessante sobre o papel dos jornalistas e do que pretendem os media tradicionais. (Podemos sempre prosseguir esta discussão nos comentários em baixo»

    E, por fim, extrapolando o que se passa nos blogues para os jormais comentados na internet (não se zanguem!), transcrevo um comentário colocado ao Mr. Steed, em http://mrsteed2.blogspot.com/2008/08/os-comentrios-e-moderao.html, aqui há pouco:

    «Escrevi algo sobre o assunto em tempos (estou farto de procurar, mas não encontro) e que rezava mais ou menos assim.
    Um blogue é da responsabilidade do seu proprietário. Um blogue é feito dos seus conteúdos. Os comentários, embora não sejam da responsabilidade do autor, são conteúdos que aí são publicados. A sua publicação é da responsabilidade do autor.
    O produto global de um blogue, artigos+comentários, é a principal componente da imagem desse blogue, sendo, de resto, o determinante do seu índice de credibilidade.
    Podes ter um blogue de grandes conteúdos mas, se as caixas de comentários estão cheias de “olá, passei cá só para te dar um beijinho”, ou “acho este blogue muito interessante. compra viagra”, ou “aumente o seu pénis”, entre os tais salazares e coisas assim, então ele passará a ser conotado com esse tipo de mensagem, quer queiramos quer não.
    Por isso, o que se passa no fractura é o seguinte:
    o blogue é meu e ninguém o vai estragar. Os comentários são moderados, não censoriamente, mas pelo crivo da decência mínima (e eu sou muito aberto de espírito) e da contextualidade.»

    Ufff… escrevi mais que num post…

    Abraço a todos,
    CJT

  11. Carlos José Teixeira sobre Agosto 28th, 2008 8:48 am

    Mais uma coisa: creio ser interessante seguir o post do Albano e lá discutir uma coisa que acho de extrema importância: a interacção entre o jornalista e o público.

  12. António sobre Agosto 28th, 2008 9:27 am

    Os comentários a esta entrada são um excelente exemplo para quem pretende fomentar discussões num blog/site e não sabe se os deve ou não moderar. Falei no diabo (salvo seja :-) ) e eis que ele comenta a seguir a mim, provavelmente sem ter tido a possibilidade de ler o meu comentário. O António já sabe quem eu sou (deixei um dos meus emails acima), porque razão deverá este comentário esperar a sua aprovação? A moderação seria “ideal” para alguém como o Abrupto em que toda a gente se dirige ao autor (eu ia a escrever mestre…). Se a intenção é essa (eu autor/jornalista publico e vocês podem dar-me feedback) então talvez a moderação apriori não seja má ideia.

    Se a intenção é a de criar uma comunidade de leitores então essa opção já não faz sentido e as restrições devem existir para promover (e premiar) a qualidade dos comentários.

    Outra coisa: Nas páginas do jornal os comentários têm para mim um destaque exagerado (atendendo à qualidade dos mesmos); eu pelo menos passava bem sem passar o olhar por lá – por vezes distraio-me… Mas compreendo a opção do Público. O que eu já não compreendo é que, quando muitas das notícias têm dezenas de comentários eu tenha de clicar repetidamente para ler comentários anteriores. Coloquem 5 na página do artigo mas dêem-me a possibilidade de ver 15- 20 -30 (vocês saberão melhor do que eu) numa página própria, com layout agradável e que se proporcione ao skimming da informação (não tarda nada estou a sugerir a promoção/destaque e votação dos melhores comentários). Adicionem um extracto do artigo no topo e até os motores de busca vão adorar.

  13. António Granado sobre Agosto 28th, 2008 11:56 am

    António,

    Não tenho moderação nos comentários. O Askimet trata os comentários longos (ou com links) como possível spam e envia-mos para moderação. Se escrever um comentário curto sem links, vai ver que não será moderado.

  14. António sobre Agosto 28th, 2008 12:49 pm

    Precipitei-me, então. As minhas apologias, António ;)

  15. Carlos José Teixeira sobre Agosto 28th, 2008 6:11 pm

    António, António, & Companhia: as opções dos comentários devem ou não ter critérios diferentes consoante se trate de um “social media”, como o blogue, ou de um órgão de comunicação social?

    Já agora, o que dizem às questões levantadas pelo Miguel Albano e que me parecem muito pertinentes, especialmente no que se refere à interacção do jornalista (ou do jornal, numa opção mais fraca) com os seus públicos?

    É que, ou consideramos os comentários uma conversa, ou apenas um instrumento de subida ao olimpo dos blogues.

  16. Carlos José Teixeira sobre Agosto 28th, 2008 6:12 pm

    «António,

    Não tenho moderação nos comentários. O Askimet trata os comentários longos (ou com links) como possível spam e envia-mos para moderação. Se escrever um comentário curto sem links, vai ver que não será moderado.»

    :-P Os meus são sempre!

  17. Mr. Steed sobre Agosto 28th, 2008 6:17 pm

    O número de comentários mensais no Público (40 mil) é bastante útil para sabermos do que estamos a falar.

    Uma conta simples permite concluir que a média diária anda à volta de 1.300. Ou 55,5 por hora.

    Voluntários para moderador de comentários no Público? Anyone?

    A questão a partir de determinadas quantidades é mais: conseguimos moderar o que quer que seja de modo eficaz?

    Sendo assim, se temos muita quantidade e pouca qualidade, não será má ideia ter menos comentários através das várias sugestões aqui apresentadas, seja o registo, a criação de uma comunidade, etc. Essas barreiras serviriam como filtro e facilitariam a moderação. I think…

  18. Miguel Albano sobre Agosto 28th, 2008 11:15 pm

    Viva «camaradas» comentadores,

    eu entendo o «problema» enfrentado pelo António Granado e pela Equipa do Público.pt mas o que eu gostaria mesmo de ver era um debate mais interessante sobre o que o Público.pt pretende em termos de comunidade.

    Que tipo de leitores/utilizadores queremos atingir e cativar?

    Que tipo de interacção queremos atingir com eles e que disponibilidade/recursos podemos colocar ao serviço da comunidade?

    Queremos que os utilizadores sejam parte activa no processo? Queremos que sejam recompensados?

    Queremos implementar uma comunidade opinativa ou interactiva?

    Há um conjunto de questões extremamente mais pertinentes, antes de pensarmos em técnicas.

    A técnica é relativamente pacífica. O Público.pt possui os recursos técnicos, financeiros e humanos para adoptar uma qualquer estratégia relativamente aos comentários.

    Cumprimentos ao CJT que não cansa de me fazer publicidade.

    E cumprimentos ao António Granado que tem um grande desafio pela frente :)

  19. Cuca Fromer sobre Agosto 31st, 2008 3:31 am

    Trbalhamos, pela primeira vez, com comentários no site de Olimpíada, do Portal Terra (Brasil)http://esportes.terra.com.br/pequim2008/ e estávmos hoje mesmo discutindo como devemos tratar esse novo instrumento. Parece-me mais correto a mediação a posteriori. Mas, não é fácil. Estabelecemos como parâmentros para bloqueio: crimes (discriminações); pornografia; uso de palavras de baxsíssimo calão. Trabalho para um batalhão,num site que estava recebendo uma média de 2 mil cliques por minuto, no horário comercial. Travamos verdaeiras batalhas com alguns “comentaristas”. A questão que me coloco, depois dessa experiência, vai um pouco além de se a moderação deve ser a priori ou posteriori. Parece-me que há um trabalho não só de “censor/moderador”, mas um mais importante que é quase de um “animador”, no melhor sentido que a palavra possa ter. O jornalista, e defendo que sejam jornalistas qeu façam esse trabalho, deve ser capaz de “levar” os comentários a um nível interessante, inusitado, informativo – o comentário como ferramenta jornalística.
    Usar o comentário como “mais um meio de interação com o usuário” assim, sem reflexão, definição clara e transparente de padrões de conduta, um simples depositário, parece-mee besteira.
    Nesse site, também experimentamos pela primeira vez o fanzone, que não deixa de ter o carátr de comentário, seja no formato fórum, seja no good vibes. As memas questões, agora sob uma ótica, mais “espaço do internauta mesmo”, de como trabalharmos essa mediação.
    Achei a experiência fantástica, ainda que o tema fosse algo relativamente tranquilo, a Olimpíada, não foi fácil a moderação. Diria que 40% (ainda não fechei os números)mostram um duro retrato do que o ser humano é capaz no anonimato. Outros 20% estão brincando ou “trabalhando” – repetem centenas de vezes a mesma mensagem como numa disputa para vermos de somos capazes de seguir bloqueando, em geral mensagem de mau gosto e os mais variados fanatismos; e os vendedores: URLs para venda de material esportivo a pornografia. Considero esses números esperados.
    O restante quer opinar, quer debater, quer dar novas informações sobre o assunto, quer respostas às dúvidas que a matéria deixou, que corrigir informações. Muito bacana mesmo!
    Agora, quem vai cuidar disso nos portais? Não acredito que sejam estagiários e nem meia dúzia de gatos pingados e nem os serviços de informação de “Abuse”, que ajudam muito, é verdade. Ao contrário, a trabalho exige uma boa experiência jornalística (e diverisificada), um enorme bom senso, e a sensibilidade de saber conduzir os comentários para um debate enriquecedor do conteúdo. Seremos capazes?
    A discussão me interssa muito. Ainda me sinto um poço de dúvidas sobre esse “novo” trabalho no jornalismo.Sugestões?

  20. Speeder_76 sobre Setembro 1st, 2008 2:34 am

    Ainda bem que é um assunto pertinente, e ainda bem que esteja em constante debate. Provavelmente deveria ser “a posteriori” que é para não ouvirmos acusações de censura e coisas mais. Contudo, acho que há outro assunto, que está a ser debatido, e que é importante: o registo dos utilizadores.

    Pessoalmente, e a minha experiência de “blogger” assim demonstra, sou absoultamente contra os utilizadores anónimos. Para mim, devem ser pura e simplesmente abolidos. Tudo que tem a ver comentários de baixo calão e insultos de toda a ordem, acaba por subverter a ideia da interacção e dos comentários dos leitores. Claro, isso não implica que se registem com os nomes reais, apenas impeçam aqueles que sob a capa do anonimato, fazem guerrilha com o insulto gratuito.

    Agora, as questões do Cuca Fromer e do Carlos albano, nos comentários anteriores, são pertinentes. Quem fará essa moderação? Os estagiários? Acho que deve ser alguém especializado, quase como que um “Provedor do Leitor” (obviamente não é ele) mas porque não, alguém responsável pela secção de Média ou um especialista de novas tecnologias? De facto, esta é uma questão pertinente, que deve ser resolvida da melhor maneira possivel.

    Saudações a todos.

  21. Carlos José Teixeira sobre Setembro 1st, 2008 8:42 am

    Não sei porquê, mas começa a dar-me a impressão de que o jornalismo online NÃO passa por ter uma caixa de comentários.
    Tudo bem, se quisermos seguir a tradicional fórmula da informação de massas: o jornal informa, os leitores assimilam.
    Agora… estamos na vertigem 2.0, próximos da 3.0, que espero vir a privilegiar ainda mais o conteúdo.

    Naturalmente que as caixas de comentários e a sua utilização devem obedecer a regras inequívocas. E, mais naturalmente ainda, o Público, o Portal Terra e outros que tal terão extrema dificuldade na moderação de TODOS os comentários.

    Não sei, no entanto, se essa é uma discussão útil.
    E não o sei pois estas discussão só faz sentido à luz das limitações tecnológicas e essas, conforme se vê, vão desaparecendo diariamente para dar lugar a outras, fruto das novas exigências que, também elas, aparecem diariamente.

    Assim, para mim, a discussão é esta:

    Deverão os órgãos de informação ceder à interacção na forma de conversação com os leitores?

  22. Mr. Steed sobre Setembro 1st, 2008 1:43 pm

    Cuca, excelente quantidade e qualidade de informação :) acho o conceito de “animador” fantástico.

    opinião minha:passa mesmo por aí.

  23. Ricardo Jorge Tomé sobre Setembro 3rd, 2008 10:35 am

    Acrescento uma pergunta/sugestão para o debate, que está riquíssimo, tendo como pano de fundo o tema já aqui levantado sobre como os comentários são também parte da notícia.

    Nesse sentido:

    - poderiam ou deveriam as empresas de Media abrir as caixas de comentários apenas a alguns artigos? Apenas aos quais sabem que os seus autores / jornalistas poderão dar real e cabal resposta, interacção, partilha e feedback?

  24. Media | Jornalismo e Internet | : fractura.net! sobre Setembro 17th, 2008 11:49 am

    [...] é um assunto que tem vindo a ser discutido por cá e cuja discussão pode ser seguida no Ponto Media de António Granado e no (It’s) Not About You da Lift, pela mão de Miguel Albano. Enquanto no [...]

  25. O problema dos comentários : Ponto Media sobre Setembro 24th, 2008 7:30 pm

    [...] MEU post sobre os comentários dos leitores foi dos mais comentados deste mês e — pelo que tenho percebido das conversas com outros [...]

  26. António Fagundes sobre Setembro 24th, 2008 8:49 pm

    Penso que deve haver moderação a posteriori e um sistema que permita aos leitores denunciar determinado comentário ofensivo (como, aliás, o Público.pt tem).

    Penso que cabe depois ao jornal encontrar formas e profissionais capazes de os ler para identificar possíveis situações.

    Não deverá ser o editor do próprio site, que deveria estar ocupado de outras coisas que não a gestão de comentários (devia ser chamado apenas em último caso).

    Poderia ser um trabalho rotativo entre jornalistas.

    Ou então dar a cada jornalista uma peça (sua ou de agência) para moderar.

    É um trabalho difícil e penoso, mas não deve ser por isso que o jornal online deve abdicar daquilo que o faz especial – a interactividade.

  27. Cuca Fromer sobre Setembro 25th, 2008 3:26 am

    Ricardo,

    sou defensora de que se abra comentários para a maioria das matérias, mas não todas. Mas, acredito que o critério deva passar bem mais peça avaliação do “tipo” de comentário que o assunto tende a gerar e não pela certeza de que seus autores possam responder de forma cabal. Dou um exemplo um pouco gritante, mas eu, como editora, jamais abriria para comentários a cobertura da Parada Gay. Conheço o homofobismo e acho irresponsável permitir o “crime” (discriminação por orientação sexual) e é óbvio que os comentários não passariam de uma guerra entre gays, homofóbicos e religiosos das mais diversas vertentes. Não acrescentaria nada à notícia.
    No Brasil, foi proibida a colocação de comentários nos sites de Eleições pelo TSE. Se por um lado parece absurdo, pois não há assunto que mais deveria ser debatido e comentado pelos cidadãos-internautas, acho que o mais provável é que se tornasse um palanque e uma guerra de baixo nível entre candidatos e facções. Os candidatos mais ricos, por exemplo, contratariam legiões de moços que passariam o dia enaltecendo-os nas matérias que lhes dizem respeito e detonando seus concorrentes. Nada saudável para o processo eleitoral brasileiro. Não sei avaliar se, por exemplo, nos EUA os comentários teriam a importante função de questionar posições, manifestar descontentamentos, acrescentar sugestões às propostas dos candidatos etc.
    Mas tendo a achar que a decisão de abrir ou não para comentários deve ser editorial e tomada pelo comando da Redação.
    Desculpe, António, outra vez escrevo um monte, mas como você notou estou obcecada pelo tema.
    Aliás, achei muitíssimo interessante sua apresentação no MediaOn. Obrigada!

  28. Comentário sobre os comentários « Webmanário sobre Setembro 26th, 2008 6:11 am

    [...] debate capitaneado por António Granado _lembrando que, como sempre, é na caixa comentários que a discussão ocorre de [...]

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