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ISSN
1645-2208
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Ponto media |
Semana de 24 de Setembro de 2001
IMPORTANTE - Muitas publicações não mantêm os seus artigos "on-line" mais do que alguns dias, pelo que muitos destes "links" -- que na altura da sua criação estavam activos -- poderão já estar desactualizados.
Sexta-feira, 28 de Setembro de 2001 A TELEVISÃO da Universidade de Missouri, feita essencialmente por estudantes, entendeu que os seus jornalistas não deveriam aparecer frente às câmaras com bandeiras americanas na lapela (ver controvérsia no Ponto Media de 24 de Setembro): “Our news broadcasts are not the place for personal statements of support for any cause — no matter how deserving the cause seems to be. This includes the little red, white and blue ribbons that a lot of people are sporting these days. Our job is to deliver the news as free from outside influences as possible.” Resultado? Alguns políticos locais não gostaram: “As a member of the state legislature in Missouri, I am going to be evaluating far more carefully state funding that goes to the School of Journalism. If this is what you are teaching the next generation of journalists, I question whether the taxpayers of this state will support it”, disse numa mensagem electrónica que enviou para o canal de televisão um dos deputados estaduais. |
Ponto
media
Este é um weblog sobre media em português. Com "links" para artigos interessantes e para estórias de jornalismo e jornalistas. De segunda a sexta.
Weblogs Se quer conhecer alguns weblogs em língua portuguesa, então visite o Concatenum.net, que tem uma das maiores colecções de "links" que conheço para weblogs brasileiros. O Pedro Rebelo do weblog Browserd fez um "link" para este weblog. Devolvo, com muito gosto, a cortesia... |
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16-20
Jul 2001 |
"A VERDADE jornalística
pode ajudar os nossos inimigos". Foi mais ou menos esta a mensagem
que o Ministério da Defesa britânico enviou aos órgãos
de comunicação social, pedindo-lhes para não
dar informações que possam ajudar o inimigo: "As
the next phase of military and intelligence planning and action now
gets under way, informed speculation may become very close to the truth.
It would be operationally very helpful if editors could now minimise
such speculation, whether by their own journalists or by retired military
people."
A AGÊNCIA Reuters emitiu um memorando interno onde pede aos jornalistas para não usarem, ou usarem com cuidado, as palavras "terrorista" ou "combatente da liberdade": "We do not characterize the subjects of news stories but instead report their actions, identity and background", diz o comunicado. "The integrity of those accounts -- and the safety of our journalists in hot spots around the world who provide them -- depend on our adherence to these long-held principles." A CASA BRANCA não gostou da entrevista que Tom Brokaw, o principal pivô da NBC, fez ao ex-Presidente Bill Clinton, em 18 de Setembro. Mais um episódio da tensão crescente entre os media e a nova Administração americana... OS CARTOONISTAS americanos não sabem o que fazer nos dias que correm. Para além de terem refreado bastante as suas piadas, começaram também a modificar a própria forma de desenhar o Presidente George W. Bush: "It's not going to be the little tiny guy with the gigantic ears that I have been drawing. He's grown in my estimation. This is a time when even for editorial cartoonists, as cynical as we are, our patriotism comes first." COMO É QUE se impedem os milhões de cópias piratas de DVD e vídeos que andam à solta pela Internet e não só? O senador Fritz Hollings da Carolina do Sul tem uma ideia e está já a trabalhar em legislação nesse sentido: os computadores, os televisores e os gravadores de vídeo vendidos nos EUA têm de vir protegidos de origem para não permitir a leitura de cópias piratas...
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2001 QUEM AINDA se lembra da controvérsia sobre a contagem de votos presidenciais nos Estados Unidos? E quem se lembra de que houve alguns órgãos de comunicação social que decidiram verificar cerca de 200 mil votos controversos? Bem, a contagem está feita e todos os envolvidos estão a adiar a publicação dos resultados. Segundo a Inside.com, o adiamento não é só porque os olhos do mundo estão noutro lado, é também porque a contagem pode pôr em causa a legitimidade do comandante supremo das forças americanas... AS ESTAÇÕES de televisão da Califórnia estão desejosas de tornar a colocar os seus helicópteros no ar, para poder realizar reportagens de trânsito, cobrir incêndios ou perseguições policiais. A Radio and Television News Directors Association já pediu que a proibição iniciada a 11 de Setembro seja levantada, tanto mais que é "constitucionalmente suspeita". No entanto, nem todos estão desgostosos: "It's refreshing not to turn on the TV set and see another police chase", disse um telespectador à Associated Press. O PRESIDENTE da câmara de Nova Iorque decidiu que não quer mais fotógrafos amadores a tirar fotografias das ruínas do World Trade Center. A proibição, que não afecta os profissionais, justifica-se por que se trata de uma "cena de crime", diz o gabinete da presidência.
Quarta-feira, 26 de Setembro de 2001 QUEM INVENTA aqueles "slogans" para identificar os temas do noticiário, de que as televisões tanto gostam, como "America at War" ou "Striking Back"? O Inside.com tem uma interessante estória sobre este assunto. O GABINETE de Tony Blair pediu ontem aos jornalistas para não exagerarem no tratamento dos atentados terroristas nos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito a futuros alvos dos terroristas. "If Bin Laden's general hatred of the west is translated into 'I'll nuke the UK' I think people will be understandably alarmed", disse um porta-voz do número 10 de Downing Street. OS "SITES" noticiosos tiveram um aumento muito significativo de visitantes na sequência dos atentados nos Estados Unidos, revela uma análise da Media Metrix. Os sítios governamentais, livrarias e de companhais de aviação receberam também muito mais visitantes do que é normal. NUMA SITUAÇÃO de catástrofe como a de dia 11 de Setembro em Nova Iorque são os fotógrafos que produzem as mais impressionates peças jornalísticas. Um artigo do jornal "The New York Times" de ontem defende este ponto de vista e conta, por palavras, as mais interessantes imagens das últimas semanas. A Voice of America, uma estação de rádio financiada pelos Estados Unidos, decidiu não transmitir uma rara entrevista com o "mullah" Omar, o líder espiritual do taliban, depois de ter recebido pressões nesse sentido. Richard Boucher, porta-voz do Departamento de Estado, admitiu as pressões, que muito irritaram os jornalistas da Voz da América: "We told members of the board of broadcast governors that we didn't think it was appropriate for the Voice of America to be broadcasting the voice of the Taliban into Afghanistan and we didn't think it was consistent with their charter."
Terça-feira, 25 de Setembro de 2001 COMO É QUE os media americanos trataram os ataques terroristas? A "American Journalism Review" acaba de publicar uma série de artigos sobre o tema, que vale a pena ler. PELO MENOS, seis fotógrafos foram presos na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos por terem ultrapassado as linhas impostas pela polícia em Nova Iorque e Pittsburgh. Entre os presos esteve Tyler Hicks, do "The New York Times". "It's understandable that [officials] want to keep the area secure", disse Hicks. "At same time, this is a story people want to see the effects of." O TABLÓIDE "Boston Herald" foi responsável por algumas das mais importantes "cachas" sobre os atentados terroristas de 11 de Setembro, batendo aos pontos o circunspecto "The Boston Globe". As estórias não esperaram pela edição de papel e foram publicadas "on-line", como deve ser nos tempos que correm. NA SEMANA PASSADA, as televisões e as rádio americanas perderam cerca de mil milhões de dólares (220 milhões de contos) em anúncios por causa da cobertura contínua dos ataques terroristas. Os media "on-line" merecem notas altas na disciplina de ética e deontologia. Esta é a opinião de J.D. Lasica, num artigo publicado na "Online Journalism Review": "On the whole, despite occasional ethical lapses, online news sites have performed remarkably well. We're pretty damn good, we're getting better, and we know that the truth is what counts above all else."
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2001 Estou de volta depois de um interregno de quase duas semanas, motivado pelos ataques terroristas nos Estados Unidos. Como compreendem, é muito difícil ser jornalista "full-time" num jornal diário e manter o weblog ao mesmo tempo. A não ser que não se durma... JÁ SÃO CONHECIDAS as médias de entrada nos vários cursos de jornalismo e comunicação social do país. Esta lista foi feita por mim, e elimina cursos um pouco ao lado da profissão, pelo que me pode estar a falhar alguma coisa… Foram preenchidas, na totalidade, as 715 (!!!!) vagas disponíveis. Aqui fica a lista (entre parêntesis o número de vagas de cada curso): U Nova - Ciências da Comunicação - 16,93 (75); U Técnica Lisboa (ISCSP) - Comunicação Social - 16,25 (70); U Porto - Jornalismo e Ciências da Comunicação - 16,2 (70); U Coimbra - Jornalismo - 15,9 (40); Instituto Politécnico de Lisboa - Jornalismo - 15,68 (55); Inst. Polit. de Coimbra - 15,5 (35); U Porto - Ciência da Informação - 15,08 (30); Inst. Polit. de Setúbal - Comunicação Social - 14,85 (35); U Minho - Comunicação Social - 14,7 (60); Inst. Politécnico de Viseu - Comunicação Social - 14,49 (40); Esc. Sup Educação Faro - Ciências da Comunicação - 14,41 (40); Inst. Polit. de Portalegre - Jornalismo e Comunicação - 14,4 (30); U Beira Interior - Ciências da Comunicação - 14,05 (45); Inst. Polit. de Leiria - Comunicação Social e Educação Multimédia - 13,48 (50); Escola Superior de Tecnologia de Abrantes - Comunicação Social - 13,02 (40). Não considerei no cômputo geral, mas assinalo por ser um sinal dos tempos, a média de entrada de Design Multimédia e Comunicação no Instituto Politécnico de Coimbra: 17,37 (30). NEM A PROPÓSITO, o jornal "Le Monde" acaba de publicar um interessante texto sobre as escolas de jornalismo em França, que precisam de se actualizar e apresentar novas propostas de formação. Loïc Hervouet, director da Escola Superior de Jornalismo de Lille, resume o que se passa: "Alors qu'aux Etats-Unis, 50 % des rédacteurs sortent des écoles reconnues, en France, les neuf écoles forment moins de 400 professionnels, alors que la commission de la carte a délivré l'an dernier près de 2 000 nouvelles accréditations". OS MEDIA "on-line" estiveram no centro das atenções nas últimas semanas. Por todo o mundo, o esforço de acompanhar os acontecimentos valeu a pena. Nos Estados Unidos, portaram-se muito bem. Na Grã-Bretanha também. Aqui está um "site" que confirma ou desmente boatos que andam pela Internet sobre os atentados terroristas de 11 de Setembro. Aqui está outro que tem uma enorme colecção de infografias de jornais americanos. E ainda outro, mais conhecido, com uma grande colecção de primeiras páginas do dia seguinte. OS ATAQUES TERRORISTAS nos Estados Unidos foram um bálsamo para os jornais em todo o mundo. Na Grã-Bretanha, no dia 12, os diários nacionais baseados em Londres venderam mais de 15 milhões de exemplares, ou seja, 2,5 milhões a mais do que é normal. DEVEM os jornalistas de televisão americanos usar pins de bandeiras na lapela? Podem essas manifestações de patriotismo estragar a imagem de independência dos jornalistas? O debate está lançado… JÁ AGORA, podem os pivôs dos noticiários chorar em público? E quando se trata do mais importante e mais respeitado pivô da América? Dan Rather, da CBS, não se conteve durante o "talk-show" de David Letterman e chorou duas vezes, lamentando-se logo de seguida: "I'm a professional. I get paid not to do that". |