Ciberjornalismo.com

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Weblog de

António Granado


Ponto media
Actual
1- 5 Jan 2001
8- 12 Jan 2001


 

Semana de 8 de Janeiro de 2001

IMPORTANTE - Muitas publicações não mantêm os seus artigos "on-line" mais do que alguns dias, pelo que muitos destes "links" --  que na altura da sua criação estavam activos -- poderão já estar desactualizados.

Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2001

ESTÁ FINALMENTE "on-line" o número de Janeiro/Fevereiro da "Columbia Journalism Review". O artigo de capa dá que pensar. Afinal, os média influenciam ou não as agendas dos candidatos a Presidente? Qual é o papel dos jornalistas durante as campanhas? Servir de pé-de-microfone, para utilizar uma expressão do jargão profissional? Ou levantar questões incómodas, que marquem a agenda? No artigo assinado por Russ Baker, as opiniões dividem-se completamente...

barrento.gif (2931 bytes)OS JORNALISTAS portugueses "são insconscientes e sem sentido de Estado", disse o general Martins Barrento, chefe de Estado-Maior do Exército. Por essa razão, o "Jornal do Exército" vai passar a "funcionar como contra-poder do desmesurado poder da Comunicação Social". Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, diz que se trata de uma "visão conspirativa" da profissão.

CONAN O'BRIEN, apresentador de "Late Night", um dos programas de maior êxito da NBC, está triste com a partida de Bill Clinton. Num artigo que assina na "Time", O'Brien diz que Clinton foi o primeiro Presidente-desenho-animado da história e por isso vai ter saudades dele. "Clinton was our first cartoon President. He ran off cliffs, was crushed by anvils and flattened by turn-of-the-century trains. Yet moments later, we always saw him, just like Wile E. Coyote or Daffy Duck, completely reassembled and eagerly pursuing his next crazy scheme."

Ponto media

Este é um weblog sobre media em português.
Com "links" para artigos interessantes e para estórias de jornalismo e jornalistas. De segunda a sexta.

 

Escrita

A Sun Microsystems continua a manter "on-line" a sua célebre página Writing for the Web, com conselhos para os que se querem aventurar neste novo meio.
- 79% of users scan the page instead of reading word-for-word
- Reading from computer screens is 25% slower than from paper
- Web content should have 50% of the word count of its paper equivalent

A CNN vai despedir entre 500 a 1000 trabalhadores dos seus 4000, noticiou "The Wall Street Journal" na sua edição de ontem.
A decisão, que pode ser anunciada já na próxima semana, prende-se com a reorganização da mais famosa cadeia de televisão do mundo e do seu "site" na Internet. Um porta-voz da CNN não respondeu aos telefonemas dos jornalistas do CBSMarketWatch.

SEM ESFORÇO, podíamos chamar-lhe "abutre". Mas Alex Beam, do "The Boston Globe" parece não ter dúvidas: o "site" Salon.com, um dos mais famosos da Internet, não vai sobreviver um ano. A profecia é temerária. As palavras ainda mais. "You who are about to die, we salute you. Call it a hunch, but I don't think the online magazine Salon will survive year one of the Clinton Downturn. Twice during the past year, it has followed dot-com protocol by dumping staff, supposedly reducing expenses to pave the way to profitability."

 

Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2001

DOIS GRUPOS constituídos por órgãos de comunicação social dos Estados Unidos vão examinar os votos da Florida de forma independente e contrataram já o National Opinion Research Center para os ajudar na tarefa, noticiou o jornal "The New York Times". "All of us at the outset were surprised that we were even engaged in these discussions with people we historically compete against" disse John Broder, editor em Washington do " The New York Times" e porta-voz de um dos grupos. "The initial reluctance was overcome by the cost of the effort, which we now estimate will run in excess of $500,000, and the sheer logistical challenge of arranging to examine ballots in 67 counties in a large state."

NA SUA COLUNA de ontem, Steve Outing, uma das mais respeitadas vozes sobre os novos média, diz que está na altura de cobrar pelo conteúdo "on-line" e apresenta algumas áreas onde os orgãos de comunicação devem apostar. Vale a pena ler "What You Can Charge for on the Internet".

ESTES CONSELHOS de Outing parecem vir na altura ideal, agora que um estudo da Merrill Lynch diz que, pelo menos nos EUA, não vai haver aumento dos anúncios "on-line" em 2001, revela um artigo da InfoWorld.com. Só um cheirinho: "Industry experts say advertisers will pull back this year and re-evaluate their online strategies, integrating the Net more intelligently into total ad campaigns. But until companies figure out how to do that, stock values of those dependent on online ad revenue will languish. Investors are likely to continue to punish Internet companies, and that includes some major names like Yahoo and DoubleClick, both of which will release financial reports this week."

JÁ QUE FALAMOS em publicidade, sabe que pode vir a ser proibido fazer anúncios para crianças com menos de 12 anos em todo o espaço da União Europeia? Pelo menos, é isto que prentende a presidência sueca da UE que convocou para o próximo mês um grande encontro em Estocolmo sobre este tema, explica um artigo do jornal "The Daily Telegraph".

HÁ UM JORNALISTA de televisão profundamente arrependido. Trabalha na WBS, uma filiada da ABC em Atlanta (EUA), e reconhece que fez "um erro terrível". Com os microfones ligados, Tom Regan (assim se chama o arrependido) proferiu uma "horrível obscenidade" e já confessou que a sua atitude foi "incrivelmente estúpida". O "Atlanta-Journal Constitution" conta a estória, mas esquece-se de dizer qual foi a obscenidade. Noutros sítios da Web diz-se que foi "fucking asshole".

 

Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2001

AS DUAS CRIANÇAS que, em 1993, mataram um bebé de dois anos em Inglaterra permanecerão anónimas para o resto das suas vidas, decretou uma juíza britânica. Agora que os dois jovens (actualmente com 18 anos) serão libertados e lhes será garantida uma nova identidade, o tribunal defende que esta medida evitará eventuais retaliações da família da vítima ou de populares. O jornal "The Guardian" tem um dossier completo sobre este caso e, num editorial, os seus responsáveis concordam com a decisão. Há, no entanto, um pequeno pormenor que poderá virar tudo do avesso: "The ban is unequivocal. It cannot apply beyond the English and Welsh borders or to the internet, but the judge made it clear that the English media would be clobbered if it tried to get round the ban by reporting facts appearing on the internet or in the Scottish media."

VALE A PENA ler a colecção de ensaios que o Poynter Institute pôs em linha sobre o tema "Journalism & Business Values". Estão assinados por algumas das mais influentes vozes dos média nos EUA e podem dar muito que pensar, numa época em que os negócios parecem estar cada vez mais a ditar as leis dentro das redacções : "Poynter asked for thoughts on the challenging topic of journalism and business values — from any angle, any topic. Our hope: To move this discussion along, to stimulate ideas on how news and business needs can complement each other, improving the skills of journalists and strengthening news organizations."

A "Time Digital" — uma revista sobre o mundo dos computadores, que no início era publicada em conjunto com a "Time", mas agora vende mais de um milhão de exemplares — vai ser relançada em Março sob o nome "On", revela o jornal "The New York Times". Resultado da gigantesca fusão de há alguns meses atrás, entre a Time Warner e a America Online (AOL), a "On" vai ser enviada a todos os assinantes da AOL, para que, eventualmente, se venham a tornar seus futuros compradores.

 

Terça-feira, 9 de Janeiro de 2001

QUANDO os média "on-line" escrevem informações incorrectas, quem é o responsável? A velocidade da informação justifica as imprecisões? Um artigo da "Online Journalism Review" discute este assunto e conclui que não. Numa carta ao PÚBLICO, um leitor preocupado com a velocidade dos média "on-line" expressa idêntica preocupação: "É importante que os órgãos de comunicação apostem na velocidade, mas que não esqueçam um espaço onde os factos sejam apresentados com alguma distância e de uma forma muito mais precisa e rica".

A DIMINUIÇÃO do investimento publicitário parece estar a prejudicar seriamente as revistas norte-americanas. Depois do anúncio do fecho da "George", na passada semana, os jornalistas começaram a olhar para dentro do mercado e não chegaram a conclusões muito animadoras. "It has been a ride and half", disse ao jornal The New York Times Ronald A. Galotti, presidente e editor da revista "Talk". "It's been 10 years of boom. Are numbers going to be off this year? Maybe. Will publishers be able to make up missing ad pages? Probably not. Are people going to be cranky? Yes."

natgeog.gif (1638 bytes)O NATIONAL GEOGRAPHIC Channel foi oficialmente lançado no domingo nos Estados Unidos e está já disponível em 10 milhões de lares, escreve o jornal "The Washington Post". Nos primeiros tempos, terá 18 horas de emissão diárias, entre as 9h00 e as 3h00.

"AVENTURES sur le Net" é a "novela da vida real" que a TF6 estreou ontem, às 20h00. Os nove concorrentes — que estarão fechados durante três semanas, em três apartamentos diferentes — começaram a sua aventura apenas vestidos de calções e T-shirt. Têm à sua disposição um computador e uma ligação à Web por apartamento, mais 15 mil francos cada (cerca de 450 contos) para compras. Serão vigiados por câmaras 24 horas por dia. O objectivo é sobreviver e ultrapassar uma série de desafios que a produção lhes colocará diariamente. O prémio para a equipa vencedora é de 100 mil francos, diz o "Libération".

O PROVEDOR dos leitores do jornal "The Washington Post" debruça-se esta semana sobre um interessante tema: Devem os obituários revelar pormenores menos edificantes sobre as pessoas mortas? Mais precisamente, deve um obituário referir que o falecido esteve preso por abuso sexual de um menor? "Newspapers sift through information all the time. They don't have to put everything in just because they know it", escreve Michael Getler.

 

Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2001

sic.gif (3120 bytes)COMEÇARAM HOJE às 7h00 em ponto as emissões do SIC Notícias. Na edição de ontem, a PÚBLICA chamava-lhe a CNN Portuguesa e explicava que "representa um investimento de cerca de dois milhões de contos e é o primeiro canal português integralmente digital, com câmaras robotizadas e direcção de TV". No sábado, já o "Expresso" tinha dito que o canal vai dar lucros num ano.

FINALMENTE está na rua o número de Janeiro/Fevereiro da "Washington Monthly". Um interessante artigo de análise, assinado por Bill Kovach e Tom Rosenstiel, explica-nos por que é que os jornalistas não nos dizem o que precisamos de saber a propósito das campanhas eleitorais, e nos continuam a dar "news we can't use". Nestes dias de campanha eleitoral em Portugal, vale a pena ler o texto com atenção. Só mais um excerto: "As the journalists become more concerned with strategies and tactics of the campaigns they cover, their perspectives come to reflect those of the consultants and managers who necessarily see voters as an abstract mass that can be manipulated and moved with just the right mixture of fear and promise."

NÃO HAVERÁ sondagens a mais? Os eleitores não ficarão confusos com tantas tentativas científicas de conhecer as suas escolhas? A "American Journalism Review"  também escolheu um tema eleitoral para o seu número de Janeiro."It's not clear whether polls affect voters' behavior. Reporting on polls does, however, create that winner/loser mentality, and if one candidate is too far behind, supporters' energies may wane. If an election is portrayed as a close contest, the public may be more motivated to stand in line at the polls."

  • VÁRIOS JORNALISTAS britânicos escreveram o seu diário de 8 de Novembro de 2000, o dia das eleições nos EUA, e publicaram um livro. Chama-se The journalist's handbook: One Day In Journalism e foi editado pela Carrick Media. O jornal "The Times" já falou sobre este tema, num artigo a que chamou One day that shook the world of journalism.

daysofwaiting.gif (1246 bytes)A ACREDITAR no jornal "The New York Times", os tempos estão difíceis para o documentário de televisão. Steven Okazaki, que em 1990 venceu o óscar de documentário curto com o seu trabalho "Days of Waiting", está desiludido com os apoios disponíveis: "For some reason, the starving filmmaker is supposed to go on an even worse diet", diz Okazaki. "It's really nearly impossible to mount an ambitious documentary on public funds. I haven't done it since 1992."

OS TEMPOS também estão difíceis para o próprio "Times" que decidiu ontem despedir 69 pessoas que trabalham "on-line", ou seja, 17 por cento do seu pessoal. "The growth in Internet advertising spending ... is not happening as quickly as we like", disse à Reuters Catherine Mathis, porta-voz da Times Co.